segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Viva a República!

Iniciaram-se ontem, 31 de Janeiro, as comemorações do 1º centenário da República. Os discursos de circunstância que nestas ocasiões os políticos costumam fazer deram lugar, desta vez, a discursos de apelo à participação cívica, à esperança, à confiança e à unidade do povo em torno dos ideais da República de que alguns desses políticos invocam.

Sabemos em geral o que foi a 1ª República. o que foram os seus partidos e alguns dos seus políticos e como, numa dezena de anos, conseguiram abastardar os princípios e as esperanças que levaram o povo a apoiar o fim do regime monárquico. Apesar de muitas intenções generosas e positivas da República a maior parte delas morreu na praia e nem testas de ponte conseguiram fixar, principalmente por causa dos políticos e dos partidos. Lembremo-nos que foi contra eles e com um povo farto deles que a ditadura se conseguiu estabelecer.

Participação cívica e unidade pedem-nos Cavaco e Sócrates!

Participação cívica para quê? Com que objectivos? Para sermos ouvidos por quem?

Unidade em torno de quê? Unidade para quê? Com que objectivos? Unidade com quem?

Mas o que nos resta para acreditar, em que acreditar e em quem acreditar?

Temos políticos “profissionais” (não sei porque razão os políticos devam ser profissionais!) que nada mais sabem para além da política que, tal como eles a entendem, se resume a falar para os media, a argumentar demagógica e falaciosamente, a correrem o país fazendo promessas que sabem à partida que não vão cumprir, a acusarem-se mutuamente, a desmentirem num dia o que disseram no dia anterior, a aparecerem constantemente envolvidos em episódios no mínimo obscuros, a influenciarem a justiça, a legislarem em benefício próprio, etc., etc.

Temos partidos que em vez dos interesses do estado e do povo se preocupam exclusivamente dos seus próprios interesses, que vivem do saque do estado, que em vez de se subsidiarem junto dos cidadãos que acreditam neles e os apoiam, o fazem sugando o orçamento de estado, que se tornaram agências de emprego, paradigmas de tudo o que é pouco claro, obscuro e sujo.

Apesar de tudo isto … viva a República!

6 comentários:

O 403 d'62 disse...

"Apesar de tudo isto ... viva a República!"
Por causa de tudo isto ...por quê ??

O Jorge Gonçalves disse...

Que viva a República, Selva!

O Ramiro Soares Rodrigues disse...

O actual estado de coisas na República é consequência do deficiente exercício da cidadania. O cidadão para decidir necessita de boa formação e informação. Sabendo-se como andam as coisas naquelas áreas, fácil é inferir que o problema está, fundamentalmente, nas políticas de educação e informação. Situação que, habilmente utilizada pelos políticos, propicia na opinião pública o alheamento dos assuntos que respeitam à vida de todos nós. A questão é o que fazer para mudar o rumo da situação inaceitável em que nos encontramos? A República tem potencialidades que, em democracia representativa, possibilitam o exercício dos direitos dos cidadãos. Assim, os saibamos usar para dar expressão às nossas paixões, anseios e interesses.
REPÚBLICA SEMPRE

O 403 d'62 disse...

Ramiro, se mudares a palavra republica por monarquia dá o mesmo....

O Ferreira da Silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
O Ferreira da Silva disse...

A monarquia e a república são produtos da evolução e da história dos homens e das nações. Os princípios que a "república", enquanto conceito, defende opoem-se aos da monarquia sobretudo nos países em que a república substituiu o regime monarquico.

O que não quer dizer que em alguns países a monarquia tenha, em devido tempo, interpretado o sentir dos povos (ou sido obrigada a engolir o seu sentir) e tenha adoptado, sobretudo no campo social e da democracia política alguns dos princípios que estão na origem dos ideais republicanos.