quinta-feira, 3 de maio de 2007

Mar nosso

Publicou o Diário de Notícias um suplemento com o título em epígrafe, na passada segunda-feira 30 de Abril, onde se desenvolvia toda a problemática relativa à nautica de recreio, actividades subaquáticas, pesca, etc. Dá conta de uma coisa que já é por demais evidente para quem anda no mar, faz desportos nauticos ou, simplesmente, vai à praia, que é o desajustamento entre a legislação e a realidade prática. Nunca houve tanta legislação e, ao mesmo tempo, tanta revolta contra ela. Desde a chamada pesca lúdica até à proibição de navegar e fundear no Parque Natural da Arrábida, parece que o fito principal do legislador foi aborrecer e afastar a população de qualquer actividade relacionada com o mar. Ter uma embarcação é hoje um problema complicado, praticar as várias modalidades desportivas sem estar sujeito ao assédio das autoridades marítimas é impossível. No meio desta teia que nos envolve (aos que usam o mar) quem vem dar a cara pela lei é a Polícia Marítima, que já não é o pachorrento Cabo do Mar que nos chateava por causa do fato de banho, mas sim uns cavalheiros vestidos de Rambo de pistola no coldre amarrado à perna e com todos os tiques de policial doutor. Não queiram saber a complicação que é explicar a um P.M. que um barco à vela só vai para onde pode e não para onde se quer, ou que fazer windsurf a trezentos metros da praia é suicídio!
Temos, enfim, uma situação em que o distanciamento entre a realidade e a lei cada vez incomoda mais e contraria o que devia ser o fomento do usufruto do mar num são equilibrio entre a segurança, a ecologia, a exploração dos recursos e o lazer. Pagar licença para pescar um besugo na ponta do molhe (que também é interdito) só serve mesmo para irritar o cidadão.

3 comentários:

O FdaPonte disse...

Eu tenho uma doutrina.
A apetência dos civis, e não só, pelas coisas marítimas foi sempre desmesurada por desconhecimento de causa, inveja e mesquinhez.
Assim quando puderam tomaram conta e como não sabiam, não perguntaram e legislaram com a habitual incompetência dos pequenos e maus.
A partir daí foi o fartar vilanagem que pudmos presenciar.
Estou certo ou estou pouco certo?

O Jorge Beirão Reis disse...

Estás certo, mas não só! Infelizmente há, na Marinha, especialistas em dar tiros nos pés!
Um abraço.

O Nunes da Cruz disse...

Isto terá alguma relação com a ignorância sobre os ATP's?