quarta-feira, 20 de junho de 2012

Dia Internacional da Música


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Outros tempos

Do livro Navios e Marinheiros de A. Emídio da Silva, publicado em 1937, transcrevo parte de um conto que tem por protagonista um bem conhecido oficial, falecido em 1891, Carlos Testa, que tem uma sala com o seu nome na Escola Naval.
"Testa foi em 1862 encarregado de levar a Inglaterra a corveta Sá da Bandeira, construida em Lisboa para lhe ser adaptada a máquina.
Ali adquiriu em 1871 o transporte India e em 1874 o couraçado Vasco da Gama, as corvetas Mindelo e Rainha de Portugal , as canhoneiras Rio Lima e Tâmega e o transporte África.
Já capitão de mar-e-guerra foi nomeado para no mesmo país, vigiar a construção da corveta Afonso de Albuquerque e das canhoneiras Liberal e Zaire. A corveta, cujo modelo foi vivamente criticado, prestou, assim como as duas canhoneiras, bons serviços durante muitos anos.
Concluídos os navios e ao proceder ao pagamento da última prestação à casa construtora, vê Carlos Testa com estranheza, que lhe era apresentado um cheque passado a seu favor, que representaria a comissão como intermediário, em relação ao valor da encomenda. Recusou-a indignado, em movimento expontâneo de repulsa, quando os ingleses, desfazendo-se em desculpas, pretenderam justificar o acto como sendo o mais natural possível e longe de qualquer intuito ofensivo.
Testa, percebendo que a intenção efectivamente nada tivera que pudesse ferir o seu brio e honradez, aceitou as desculpas como boas, mas... não aceitou o cheque.
A recusa afligiu fortemente os ingleses, que lhe explicaram que a verba já figurava na escrita da casa construtora e que graves transtornos lhes ia causar a atitude que assumia.
O oficial português perante as complicações a que ia dar lugar, resolveu então o caso por forma que os seus escrúpulos se não sentissem ofendidos e o país fosse beneficiado: _ encomendou, com a verba que lhe destinavam, um escaler a vapor para a a corveta."