segunda-feira, 5 de março de 2012

O (ou A?) Arsenal do Alfeite, SA

Foi hoje, de manhãzinha, que ouvi na rádio (TSF) uma peça onde se referia que os trabalhadores do AA (cerca de 600) não tinham tarefas atribuídas e limitavam-se a "fazer a manutenção das oficinas ou então a fazer pequenos trabalhos em barcos civis". Dizem que o último navio da Armada saiu há cinco meses e desde então pouco ou nada têm para fazer, receando o despedimento de 1/3 do pessoal e o encerramento da empresa. Pelo meio-dia já ouvi a mesma rádio dizer que afinal o AA ia reparar a "João Roby".
Não acompanhei em detalhe a última reforma do AA mas sempre pensei que a sua principal função seria a manutenção das unidades navais da nossa Marinha. Ora, por acaso, também recebi recentemente os Anais do CMN e ao ler a Crónica de Arquitectura Naval, coordenada pelo Cmg ECN Rapaz Lérias, fiquei a saber um pouco mais sobre este assunto (diga-se que os Anais estão atrasados cerca de um ano mas julgo que esta matéria ainda não está ultrapassada). 
Escreve-se então na acima referida Crónica: "Na verdade, havia, entre outros, três grandes motivos apontados para justificar a empresarialização do AA, não necessariamente pela ordem que a seguir se indica. Em primeiro lugar para permitir o investimento na modernização das infra-estruturas oficinais e portuárias; em segundo para permitir uma gestão mais flexível da aquisição de bens e serviços; e em terceiro lugar para tornar o estaleiro mais competitivo. Parece que nenhum deles tem possibilidade de se concretizar. O investimento na modernização das infra-estruturas, que se previa poder ser feito recorrendo a parte do capital social existente e a empréstimo externo, está agora inviabilizado, não só pela utilização diversa que está a ser feita do referido capital, mas também pelas dificuldades na obtenção de empréstimo junto das entidades bancárias. O regime da contratação pública de bens e serviços por parte do Estado passou também a aplicar-se  na íntegra às EPE (Entidades públicas empresariais), eliminando as hipotéticas vantagens de gestão flexível do AASA relativamente ao Sector Público Administrativo. E, por fim,sabe-se que o preço do homem-hora que está a ser praticado é muito mais elevado que o do anterior Arsenal do Alfeite, sendo também nítido o substancial aumento de custo das várias acções de manutenção em comparação com idênticas acções praticads no passado. Pode assim perguntar-se: empresarialização para quê? Não se estava a ver o que poderia acontecer? Quando o deslumbramento ofusca a razão ou encobre inadvertidamente o erro, de que se está a falar? Fica naturalmente ao cuidado dos leitores interpretar os factos e formar uma opinião sobre o andamento desta matéria".
Parece portanto que esta "modernização" do AA foi um fracasso ... ou não, se a intenção era dar mais uma machadada na estrutura das nossas FFAA e ajudar à sua aniquilação. 
Aconselho vivamente a leitura integral desta Crónica, nomeadamente a parte final da sua Introdução que não reproduzo aqui pois esta "onda" já vai longa ... mas faço uma última citação: "Há cada vez menos predisposição para sacrificar o lastimável presente em prol de um futuro mais acolhedor. E isto aplica-se a quase tudo e a quase todos. Triste sorte a nossa! A solução existe, é simples, mas requer protagonistas fiáveis e duradouros e práticas que assentem no bom exemplo."

VISITA PROTOCOLAR DA MINISTRA DA DEFESA DE ESPANHA A UM NAVIO

Achei piada a esta imagem unicamente pela semelhança de um dos participantes com o nosso Manel Pinto Machado.