quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O senhor ministro

O último acto de uma peça que se estava a desenrolar, paulatinamente e às claras, teve ontem lugar quando o ministro da Defesa declarou "o meu interlocutor não são os três ramos das Forças Armadas, é o CEMGFA", a propósito da oposição dos três Chefes ao modêlo de gestão do futuro hospital. E agora? Sai o ministro? Saem os três chefes? Sai o CEMGFA? Acaba-se com o aborto do hospital? Ou nada disto?
A pinta de ditador do ministro é conhecida. Moldou a organização à sua imagem.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

FOI ASSIM?

Em memória do tenente Oliveira e Carmo, soldado e patriota, por acaso anti-salazarista





Há histórias da história que nunca esquecem se as tivermos vivido como meninos. Foi o que me aconteceu no dia em que fiz dez anos de vida, então moldado pela propaganda salazarenta. Tinha acabado de passar da terceira para a quarta classe do ensino primário, num ano intenso da minha formação pessoal, entre a escola primária do Arco de Almedina em Coimbra e a frequência da Igreja de Santa Justa dos padres capuchinhos, numa cidade que vivia a crise universitária e onde o meu professor até era um estudante de direito que nos levava o "Paris Match" e nos falava da guerra da Argélia. 


Recordo esses tempos do meu tempo, depois de tomar notas dos incidentes que rodearam o doutoramento "honoris causa" de Cavaco pela universidade de Goa e os artigos com que a imprensa brindou Narana Coissoró. Daí que volte à secura das linhas com que contemplei o dia 18 de Dezembro de 1961 no meu "Tradição e Revolução":




Parlamento da União Indiana declara anexados os enclaves de Dadrá e Nagar-Aveli (11 de Agosto). Nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros anuncia que o parlamento de Nova Delhi aprovou a integração dos territórios no território da União Indiana (16 de Agosto). Conferência de imprensa de Franco Nogueira sobre a matéria (6 de Dezembro). Tomás recebe em audiência Salazar (10 de Dezembro). Voltam a reunir-se em 14 de Dezembro. 


União Indiana invade Goa (8 horas de Lisboa, 0 horas, locais de 18 de Dezembro). Na defesa de Diu, morre em combate o tenente Oliveira e Carmo, que não era salazarista, comandante de uma lancha que, antes do infausto, em reunião com os subordinados, proclama: fazemos parte da defesa de Diu e da Pátria e vamos combater até ao último homem e até à última bala.





Nessa noite, cortejo de silêncio em Lisboa. Diz então o cardeal Cerejeira: Portugal não morre, mas a perda da Índia Portuguesa levar- lhe- ia parte da sua alma. Dirá, trinta e três anos depois, Narayane Kaissare: o então ministro da Defesa Krishna Menon ordenou a invasão militar como um acção eleitoralista, poucos dias antes das eleições em Maharashtra


O oposicionista Carlos Sá Cardoso, fundador do MUD, escreve carta para ser publicada no jornal República, onde reconhece: na mais amarga hora de toda a minha vida de português, peço-lhe que permita a um democrata, inteiramente oposicionista e sem responsabilidade nos actuais acontecimentos, que manifeste publicamente, pondo de parte neste momento a discussão das responsabilidades, toda a sua profunda tristeza e o seu veemente repúdio pelo criminoso ataque à nossa Índia com o único e traiçoeiro fim da anexação. A missiva acaba por não ser então publicada, devido às instâncias de Mário Soares e Ramos da Costa. 


Blog:"sobre o tempo que passa", Prof. José Adelino Maltês

domingo, 21 de novembro de 2010

... com os pés!!!


Já não falo na actuação política deste Governo. Nesta área é impressionante a "ilegalidade" moral e social praticada com a autorização para os grandes grupos financeiros pagarem dividendos extraordinários aos "pobres" dos accionistas antes do fim do ano de modo a escaparem a impostos de centenas de milhões de euros enquanto que, por outro lado, esmifram até ao tutano a maioria dos contribuintes de mais baixos rendimentos.
Falemos apenas no âmbito técnico e no passado recente.
A proposta de orçamento de estado para 2011 entra fora do prazo legal no Parlamento. Depois verifica-se que está incompleta e, seguidamente ainda, está errada (e não por pouco). Isto tudo debaixo da responsabilidade directa de um ministro (Teixeira dos Santos) que tinha auréola de competente. Outra cena de outro mundo é a entrada em vigor do pagamento das SCUTS no norte ... uma verdadeira confusão, com as pessoas perdidas no meio do caos que é o processo de pagamento que sofre críticas de todo o lado, até de Espanha. Quem está de certeza a ganhar é a firma que vende os dispositivos (dezenas de milhar atá agora). O dirigente de tal bagunça é o Secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos. A última destas misérias é o 20º Congresso das Comunicações onde este mesmo senhor, de manhã, bota faladura com um discurso que à tarde o senhor ministro António Mendonça, seu superior, repete quase na íntegra durante a cerimónia de encerramento.
E ainda estão lá todos ... isto é ou não é governar com os pés?