quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"Pró C... " não ofende ninguém … é só uma muleta oratória e uma virilidade verbal

Da primeira vez li de passagem. Mas ficou-me um bichinho o moer-me a cabeleira (que me falta).
Em casa fui consultar a edição online do Diário de Notícias - http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1713684&seccao=Sul -

Vejam só! Transcrevo com a devida vénia:

"Foi no dia 4 de Agosto de 2009 que, no gabinete do sargento da GNR que liderava um subdestacamento, o cabo solicitou uma troca de serviço com outro militar. Perante a recusa do seu superior hierárquico, tal como vem descrito no acórdão do Tribunal da Relação, o militar disse: "Não dá para trocar, então pró c..." E de seguida: "Se participar de mim, depois logo falamos como homens.""

Os senhores juízes, um dos quais parece que é major general, escrevem: ( e volto a transcrever)

"Para uns a palavra 'c...' vem do latim caraculu que significava pequena estaca, enquanto que, para outros, este termo surge utilizado pelos portugueses nos tempos das grandes navegações para, nas artes de marinhagem, designar o topo do mastro principal das naus, ou seja, um pau grande. Certo é que, independentemente da etimologia da palavra, o povo começou a associar a palavra ao órgão sexual masculino, o pénis." "é público e notório, pois tal resulta da experiência comum, que 'c...' é palavra usada por alguns (muitos) para expressar, definir, explicar ou enfatizar toda uma gama de sentimentos humanos e diversos estados de ânimo. Por exemplo 'prò c...' é usado para representar algo excessivo. Seja grande ou pequeno de mais. Serve para referenciar realidades numéricas indefinidas ('chove pra c...'; 'o Cristiano Ronaldo joga pra c...'; 'moras longe pra c...'; 'o ácaro é um animal pequeno pra c...'; 'esse filme é velho pra c...')" … "Para alguns, tal como no Norte de Portugal com a expressão popular de espanto, impaciência ou irritação 'carago', não há nada a que não se possa juntar um 'c...', funcionando este como verdadeira muleta oratória."

Para além destas linhas acrescenta-se ainda que o cabo e o sargento, apesar das diferenças hierárquica, mantinham uma relação de proximidade e com poucas formalidades.

Depois deste douta reflexão, linguística, etimológica e sociológica, os senhores juízes decidem que, um militar da GNR que "mandou um superior pró c… e que, se ele participasse, depois falariam como homens", numa situação de serviço, em que o superior exercendo a autoridade que lhe é delegada recusa uma solicitação de um subordinado, referente a um acto de serviço, não deve ser julgado pelo crime de insubordinação.

Os juízes tem vindo a queixar-se das leis que os políticos fazem. Depois de ler esta notícia, mas especialmente depois de ler, reler e "treler" a argumentação dos juízes para a sua tomada de decisão, pergunto-me: quem é que no país em que a justiça está entregue a estes juízes se vai atrever no futuro a tomar uma decisão ou dar uma ordem.

Finalmente, uma última reflexão que julgo ser a mais profunda - "vai o país e vamos todos pró c…!"

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

"Da tomada de Goa aos nossos dias"

(Para ampliar, "clicar" na imagem)

À atenção de todos os OC's. A última conferência deste ciclo é no próximo dia 23 e está a cargo do OCeano ARC. O saber e a experiência do conferencista garantem uma palestra de alto nível com a qualidade a que já nos habituou.

45 anos após Juramento de bandeira

Deixei passar, por atraso na leitura, a inserção do NCruz sobre o tema e por tal, em vez de colocar "comentário" aqui deixo a minha ideia, ou seja uma proposta já colocada a alguns mas sem grande sucesso....
A minha proposta é que a espada que nos foi entregue há 45 anos (ou outra que tenha sido adquirida por extravio da inicial..) seja devolvida á Escola Naval para que, depois de inscrevrem o nosso nome na lamina, seja entregue a um novo oficial (que poderia ser por nós indicado ou não). A entrega seria efectuada pelo próprio ou por seu familiar.
Já que não vislumbro qualquer utilização pela nossa parte da espada (a menos que seja partir o bolo de casamento dos netos..) esta atitude resolvia várias coisas:
- o destino, muitas vezes pouco digno, que espera a dita espada (muitas acabam na feira da ladra)
- seria uma maneira de "forçar" a Marinha a estabelecer alguma relação entre gerações de oficiais.
- e já agora, em tempo de crise seria uma economia para a Marinha

Claro que a tradição de pendurar a espada na parede tem muita força mas talvez esteja na altura do pragmatismo.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A "Sagres" escalou Goa

Chegada a Mormugão (12Nov2010), com o morro e o farol da Aguada ao longe

Na sua viagem de circum-navegação, a “Sagres” escalou Goa e, depois de uma estadia de 4 dias, largou hoje do porto de Mormugão em direcção ao Suez.
Tenho acompanhado a viagem com muito interesse e felicito os responsáveis pela excelência dos relatos que nos têm proporcionado ( http://www.marinha.pt/ e http://www.rtp.pt/ ).
No entanto, os jornais de Goa (http://www.oheraldo.in/ e http://www.navhindtimes.in/ ) noticiaram que houve alguns problemas com os Freedom Fighters, que protestaram contra a presença do navio “por estar a comemorar 500 anos da conquista de Goa”, o que fez com que as autoridades goesas não tivessem comparecido ao almoço que estava previsto a bordo.
O comandante do navio ainda procurou esclarecer que não se tratava de qualquer celebração, mas apenas de uma viagem de instrução de cadetes e de uma goodwill visit, mas aparentemente não teve sucesso, pois o Herald de 14 de Novembro noticiava que as principais autoridades goesas faltaram ao referido almoço.
Quem é que se terá lembrado de falar em 500 anos?
Será que se perdeu mais esta oportunidade para a reforçar os laços culturais entre Goa e Portugal?
Espero com muita curiosidade os próximos relatos da viagem da “Sagres”.


Os Freedom Fighters protestando contra a presença da "Sagres" em Goa (14 NOV 2010). Apesar de serem poucos e terem pouca credibilidade, continuam a perturbar as relações luso-goesas.

A China ajuda



No ano passado houve um movimento católico pelo Natal, que consistiu em pendurar das janelas um estandarte com a imagem do Menino Jesus, para lembrar que o Natal é a comemoração do nascimento de Cristo e não uma campanha comercial patrocinada pelo Pai Natal fardado pela Coca-Cola. Aconteceu que o dito estandarte vendido nas igrejas era bastante caro. Este ano está o problema resolvido, pois as lojas chinesas já estão a vender o estandarte a preços de chinês.

Ora digam lá que não são amigos...

domingo, 14 de novembro de 2010

A Segurança no Mar Português

A revista "Segurança e Defesa" publicou sob o título em epígrafe um excelente artigo do Alm. Reis Rodrigues onde argumenta e desmonta um artigo anteriormente publicado na mesma revista, da autoria do Coronel Armando Carlos Alves, da GNR, que preconizava uma divisão de tarefas entre a GNR e a Marinha, em que esta se encarregava da ZEE e do "oceano moreno" e CPLP, enquanto que a GNR se encarregaria do mar territorial (logo, navios).
Infelizmente o artigo não está disponível on line, e é muito extenso para ser reproduzido aqui, pelo que só resta obter a revista. Pena.