quinta-feira, 1 de julho de 2010

O Hospital das Forças Armadas

Foram publicados, hoje, no Diário da República, 2ª série - N.º 126, os depachos do Ministro da Defesa Nacional n.º 10825/2010 e 10826/2010, ambos dizendo respeito ao futuro Hospital das Forças Armadas.
.
O primeiro relativo à criação de um grupo de trabalho (mais um), coordenado pelo Director-Geral de Pessoal e Recrutamento Militatr que deverá apresentar, até ao fim do ano de 2010, a proposta do programa funcional para o Hospital das Forças Armadas, assente nume unidade hospitalar única, incluindo o tipo e a dimensão do serviço de urgência a implementar.
.
O segundo despacho diz respeito à implementação de um serviço de urgência conjunto, à constituição de outros serviços hospitalares comuns, à afectação do pessoal de saúde e, finalmente, às unidades hospitalares de Santa Clara (suponho que se refere ao Hospital de Marinha) e de Belém, determinando que "Até à implementação do novo Hospital das Forças Armadas poderão manter-se, transitoriamente, o Centro de Medicina Subaquática e Hiperbárica, incluindo o respectivo Quadro de Apoio Médico-Cirúrgico, na unidade hospitalar de Santa Clara e ..."
.
Suspeito que, conforme afirmei no Club Militar Naval, o futuro Ministro da Defesa Nacional vai ter um grande trabalho a cancelar estes e outros despachos anteriores do actual Ministro, tal como sucedeu no princípio deste século!
.
Tenham um bom fim de semana (mesmo sabendo que "isto é que vai uma crise!")

NOVA LEI

Pensei que será mais estimulante e moderno dizer sem explicar.
Segundo um cálculo grosseiro, já existem cerca de 20 diplomas, Leis e D/Ls, que envolvem a Condição Militar que pura e simplesmente os Governos não cumprem.
Com respeito ao mais recente incumprimento, as minhas contas apontam, com erro por defeito, para que cada CMG, na situação de reforma, que ainda não tenha 70 anos de idade (depois nem vale a pena pensar), esteja a não receber, ilegalmente, mensalmente, alguns deles, quase 200 €. Os Alms., e é bem feito, não recebem ainda mais. E os que passaram à reforma antes de 2005 nem eles sonham!
Trata-se da actualização dos Complementos de Pensão com que os militares foram "adormecidos" em 1990 quando os Governos ainda se davam à fantasia de pensar que, apesar de já não duvidarem da sua inutilidade, eles formavam uma corporação a recear.Actualmente um juiz de ingresso (nomenclatura antiga), e existem alguns com 26 anos de idade que até são alfabetizados, já vence como Cap, Frag. e será sempre actualizado até à morte.
Já sei que me vêm com o Rui da PT e o Ronaldo!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ontem e hoje

Guerra Junqueiro escreveu este texto em 1896. Partindo do pressuposto que o sujeito não era tontinho, e retratou a situação de ontem, quais são as difrenças para a situação actual? Jogo tipo "indique as 7 diferenças". Não será de ter em conta a exibição futebolistica de ontem!

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas. Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."