quinta-feira, 10 de junho de 2010

Encontro Nacional de Combatentes 2010

Teve hoje lugar o Encontro Nacional de Combatentes 2010, junto ao Monumento aos Combatentes do Ultramar em Belém.
Presidiu às cerimónias o Alm. Vidal Abreu.
Usaram da palavra, para além do Presidente, o "OCeano" Pires Neves, por ele convidado para ler um texto alusivo ao combate da lancha VEGA, onde como é sabido morreu em combate o seu comandante Ten. Oliveira e Carmo, e a sua viúva Srª D. Maria do Carmo Oliveira e Carmo.
Reproduzo o texto lido pelo Pires Neves:


O ÚLTIMO COMBATE DA “VEGA”

A lancha Vega, comandada pelo Segundo-Tenente Jorge Manuel Catalão de Oliveira e Carmo, tinha oito homens de guarnição, 17 metros de comprimento, deslocava 18 toneladas e estava armada com uma simples metralhadora de 20 mm.

Naquele 17 de Dezembro de 1961, na Índia Portuguesa, aguardava-se o ataque da União Indiana a Diu. A Vega saiu do porto e fundeou em Nagoá, pelas dez da noite. Pela uma hora e quarenta minutos da madrugada de 18, ouviram-se disparos em terra. O Comandante Oliveira e Carmo ordenou à sua guarnição que ocupasse postos de combate e a lancha levantou ferro.

O radar, posicionado na escala das vinte e quatro milhas, revelou um grande navio navegando em ocultação de luzes, a uma distância de cerca de doze milhas da costa. Oliveira e Carmo reduziu a velocidade e a Vega aproximou-se da lancha Folque também ela em missão de soberania nas águas de Diu.

O navio desconhecido – provavelmente hostil - continuava a sua rota, estando agora apenas a milha e meia de distância da Vega, que por ordem do comandante navegava na sua direcção.
Entretanto a Vega abordara a Folque e a sua guarnição embarcara no navio de Oliveira e Carmo, sendo depois a Folque abandonada e inutilizada.

O navio inimigo - identificado como um cruzador – abriu então fogo de metralhadora pesada, o que levou a Vega a rumar em direcção a Diu e a fundear junto da Fortaleza, onde desembarcou a guarnição da Folque e mais dois elementos da Vega, estes com missões específicas.

Às seis e quinze da manhã Oliveira e Carmo suspendeu ferro e dirigiu-se novamente ao navio intruso, agora a duas milhas de distância; era realmente um cruzador com a bandeira de combate já bem visível no mastro e a bandeira da União Indiana içada a ré.

O choque estava por pouco. O Comandante ordenou que se voltasse ao fundeadouro inicial e fardou-se de branco na pequena câmara, preparando-se para, segundo ele, lutar e morrer com mais honra, conforme as tradições da Marinha de Guerra.

Eram sete horas. Jactos inimigos bombardeavam a cidade e a fortaleza, num rádio portátil ouvia-se o programa Alvorada Musical. Mas logo a seguir a Emissora de Goa calou-se.
O Comandante leu à pequena guarnição uma mensagem do Estado-Maior da Armada, ordenando a resistência e o combate até ao limite.

Oliveira e Carmo fechou a leitura deste comunicado com estas suas palavras: “Rapazes sei que vocês vão cumprir, assim como eu… E que mais vós quereis! Acabarmos numa batalha aero-naval. Fizemos parte da defesa de Diu e da Pátria e vamos cumprir até ao último homem e à última bala se possível”.

Despediram-se, beijaram os retratos da família, que guardaram nos bolsos do uniforme. Às sete e trinta voltaram dois jactos indianos a atacar a fortaleza. “Fogo nesse, Ferreira, dá-lhe!”, ordenou o comandante ao marinheiro artilheiro.
Começara a desigual batalha, com a peça de 20 mm procurando e respondendo, incessante, ao fogo dos aviões. Até que uma rajada varreu a Vega de estibordo a bombordo e matou o marinheiro artilheiro António Ferreira que recarregava a metralhadora; e cortou a meio, pelas pernas, o comandante Oliveira e Carmo.

Entretanto, um incêndio deflagrara na casa das máquinas e rapidamente se estendera à ponte e a pequena lancha, a arder, com os motores avariados pelo fogo inimigo, teve que ser abandonada. Agonizante, o Comandante beijou o retrato da mulher e do filho. Os sobreviventes tentaram arrear o bote, levando com eles os feridos.

Novo ataque dos aviões: desta vez, a rajada atingiu Oliveira e Carmo no peito e matou-o. O grumete-artilheiro Ramos foi ferido na perna esquerda e o marinheiro-telegrafista Costa no ombro e nas costas; o marinheiro-artilheiro Aníbal Jardim, viu a perna esquerda cortada pela canela e os outros três marinheiros incólumes trataram de socorrer os seus camaradas feridos, empurrando-os para uma balsa, pois o escaler de bordo, furado pelos disparos do inimigo, estava a afundar-se.

À deriva, enquanto rebentavam as munições, com estrondo, lançando colunas de fumo para o ar, afastando-se e deixando a água entrar a rodos, a Vega sumiu-se nas águas do Índico, e com ela os corpos sem vida de Oliveira e Carmo e do marinheiro artilheiro António Ferreira. Muito ferido, o marinheiro Aníbal Jardim também não sobreviveu, chegando a terra já cadáver.

Os outros cinco elementos da guarnição conseguiram salvar-se ajudando-se uns aos outros, dois seriamente feridos e três ilesos, depois de sete horas no mar, a nadar.

Segundo os indianos, o fogo da Vega, atingira três aviões, sem que fossem apurados os danos causados, neste que foi último combate da marinha de guerra portuguesa no Oriente.

Assim morreu Oliveira e Carmo, um herói, um herói entre outros que sempre souberam e saberão enaltecer e honrar o bom nome de Portugal.

Postal de Goa (XXVIII)

MAPUSA FRIDAY MARKET


Em Janeiro de 1960 o Governador Vassalo e Silva inaugurou o Mercado Municipal de Mapuçá, quando o Estado Português da Índia passava por uma fase de grande investimento público e de muito dinamismo. Uma placa colocada à entrada assinala essa inauguração, mas porque foi colocada a razoável altura, tem podido resistir aos estragos causados pelos novos tempos. Dizem as crónicas que o novo mercado era moderno, ordenado, espaçoso e com muitas lojas, sendo considerado um modelo em termos de funcionamento e de higiene, pelo que se veio a tornar muito popular em todo o território de Goa.
O mercado servia Mapuçá, que é a maior cidade do norte de Goa e que se localiza a uma distância de 13 quilómetros de Pangim. A urbe adquiriu o estatuto de vila em 1859 e em 1933 foi classificada como cidade.
Com a acentuada evolução demográfica verificada depois de 1961, a população de Goa mais do que duplicou nos últimos 50 anos. Tudo evoluiu de forma semelhante – o progresso, a economia, a pressão urbana, o trânsito, o sistema escolar, o turismo, a oferta hoteleira, a produção de lixo e tudo o mais.
Mapuçá cresceu e atraiu recursos, actividades e pessoas, tornando-se uma cidade cheia de movimento, mas também um exemplo de muito mau ordenamento urbano. O seu nome derivou para Mapusa* e o Mercado Municipal também extravasou os seus limites iniciais e, gradualmente, tornou-se numa enorme feira que se realiza todas as 6ª feiras ao ar livre e que, como sucede em toda a parte com este tipo de áreas comerciais, se converteu num espaço anárquico e desordenado.
O Mapusa Friday Market é a maior feira de todo o Estado de Goa, nela convergindo gente de todo o território para comprar e para vender e, naturalmente, muitos turistas atraídos pelo pitoresco que este tipo de feira tem e pela curiosidade que suscita.


Na feira há lojas de tecidos e de ferragens, ourivesarias e barbearias, alfaiatarias e relojoarias, mas vende-se de tudo: tecidos, sarees, roupas, T-shirts, jeans, calçado, mobiliário, palamenta, ferramentas, louças, brinquedos, flores, plantas decorativas, frutas, comida, legumes, óculos, relógios, especiarias, chouriços, carne verde e peixe seco.
Os turistas percorrem aquele vasto espaço, fotografam e demoram-se sobretudo na apreciação das peças de barro e na observação das antiguidades e velharias, enquanto os coleccionadores em geral e os numismatas em particular, procuram as moedas do Estado da Índia que alguns comerciantes por vezes ainda guardam para negociar.
Alguns turistas conseguem descobrir e comprar moedas, porcelanas da China e imagens indo-portuguesas, desconhecendo que se trata de imitações quase perfeitas, pois as antiguidades de valor de há muito que desapareceram dos circuitos comerciais de Goa.



O Mapusa Friday Market é não apenas um espaço comercial, mas é também um espaço sociológico muito singular, onde se podem observar as diferentes classes sociais e as diferentes sensibilidades religiosas goesas.

*Com a recente influência inglesa e com a introdução dos teclados - sem ç e sem acentos - a cidade passou a ser designada por Mapusa. Nada que também não tenha acontecido, por exemplo, aos Gonsalves, aos Colacos, aos Lourencos, aos Mendoncas e aos Braganzas, mas também a Mozambique)

10 de Junho

Neste 10 de Junho a nota mais inesperada foi dada pelo discurso de António Barreto em defesa da instituição militar e dos veteranos. Foi uma pedrada no charco, com a originalidade de vir de um opositor ao regime que não fez a tropa. Em Belém a invocação de Oliveira e Carmo fez focalizar as comemorações na Marinha, onde pontificaram o Vidal Abreu e o Pires Neves, para além da "nossa" sra. de Oliveira e Carmo. Em Faro, a cerimónia militar era comentada na TV, não pelos habituais três representantes dos Ramos, mas sim por quatro, sendo o quarto representante do CEMGFA; que isto agora é preciso acentuar bem quem manda... A coitadinha da locutora lá ia fazendo perguntas idiotas e resolveu falar de submarinos. Perguntou como era possível estarem os submarinos a chegar e não haver missão para eles. Deixou o representante do CEMGFA encravado, a gaguejar que o sr. General não foi bem entendido, etc. Claro que o sr. General já se vingou ao mandar fechar o Hospital de Marinha. Enfim, todos os anos pela Primavera...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Almoço OC - 8.6.2010 / mais fotos

Da autoria do outro fotógrafo oficial Trigo Allen, aqui ficam mais umas chapas:

terça-feira, 8 de junho de 2010

Almoço OC (08Jun10)

Com uma afluência relativamente reduzida (deve ser da crise ... é da crise, com certeza!) realizou-se mais um evento gastronómico. Seguem-se algumas imagens do acontecimento.