sábado, 10 de abril de 2010

COMME le TEMPS PASSE

Dizem-me que o único Oficial ainda no activo do nosso tempo de Escola Naval é o Fernando Melo Gomes, Excelentíssimo CEMA.

Vejam só.....

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Postal de Goa (XXI)

O MINÉRIO DE GOA

O movimento das barcaças carregadas de minério de ferro e manganés a descer o rio Mandovi (mas também o rio Zuari) e o movimento inverso das barcaças descarregadas a subir os mesmos rios, fazem parte da paisagem goesa contemporânea.
Para alguns, aquelas barcaças são a imagem de uma enorme riqueza económica, mas para outros são a imagem da delapidação dos recursos naturais e da destruição da paisagem.

Carregadas de minério, as barcaças descem o rio Mandovi e navegam até aos grandes navios mineraleiros fundeados ao largo da barra de Goa.

Depois de descarregadas, as barcaças regressam à sua base para voltar a carregar minério, subindo o rio Mandovi.


O território de Goa possui grandes concentrações de minério em qualidade e quantidade, com possibilidade de extracção a céu aberto e de escoamento por via fluvial, mas a sua exploração só começou a ter uma escala industrial e um valor significativo nas exportações goesas depois da 2ª Guerra Mundial.
Após a independência da Índia e com o bloqueio económico que, alguns anos depois, foi imposto ao Estado Português da Índia, as autoridades portuguesas decidiram iniciar a exploração mineira através do licenciamento de muitas concessões a grupos privados. Em 1953 já foram extraídas cerca de 1 milhão de toneladas de minério e, este resultado, mostrava como fôra eficaz a resposta portuguesa ao bloqueio indiano. Em 1959 havia 213 explorações mineiras e tinham sido extraídas cerca de 3 milhões de toneladas de minério.
Depois de 1961, a exploração mineira foi incrementada. Antes, os principais importadores eram o Japão, a Suécia e a Itália, mas nos últimos anos a procura mundial aumentou, estimulada sobretudo pela procura crescente da indústria chinesa.
Hoje são exportadas anualmente mais de 40 milhões de toneladas de minério, enquanto a actividade assegura cerca de 11.000 empregos directos e cerca de 10.000 indirectos, o que faz dela a segunda actividade económica mais importante do Estado de Goa, logo a seguir ao turismo.
Como consequência desta actividade, a paisagem marítima de Goa alterou-se substancialmente nos últimos anos e, ao longo da avenida marginal de Pangim, pode observar-se o movimento fluvial quase contínuo das barcaças do minério que descem ou sobem o rio Mandovi.
No promontório da Aguada e sobre o mar Arábico, o nosso olhar detecta várias dezenas de navios mineraleiros fundeados ao largo, a aguardar a chegada das barcaças com o minério que seguirá para a China, para o Japão e para a Europa.
Durante o período mais intenso da monção (Junho a Agosto), todo este movimento cessa, porque as condições marítimas se deterioram substancialmente. No entanto, por vezes são desafiados os limites de segurança e o que aconteceu ao N/M River Princess é um exemplo: encalhado no dia 6 de Junho de 2000 na praia de Candolim, lá continua no mesmo local a lembrar alguns dos riscos adicionais da actividade mineira.

O N/M River Princess encalhou na praia de Candolim na noite de 6 de Junho de 2000 e, dez anos depois, ainda continua a simbolizar uma das consequências nocivas da actividade mineira.

Os ambientalistas queixam-se da delapidação que a exploração mineira está a provocar em cerca de 14% do território de Goa, ameaçando aldeias, poluindo a água e inviabilizando a cultura do arroz, mas ainda se queixam mais porque todo o minério de ferro de Goa é exportado para o estrangeiro, pelo que reclamam pelo encerramento das minas.
Segundo os ambientalistas e outros activistas a exploração mineira está a destruir o território de Goa e apenas está a contribuir para o desenvolvimento da economia da China, para o financiamento do governo federal de Nova Delhi e para os elevados lucros das companhias mineiras privadas, dando apenas um escasso contributo de menos de 1 por cento para as receitas totais do Estado de Goa.
Sobre a riqueza mineira de Goa é muito curiosa a observação expressa pelo Capitão de Fragata Augusto Eduardo Neuparth, engenheiro hidrógrafo e comandante da canhoneira Sado, num “Estudo sobre o rio Mandovy” que apresentou em Janeiro de 1909:
Se algum dia se conseguir o aproveitamento da laterite que constitui a quase totalidade do solo da nossa Índia pode afoitamente dizer-se que a India portuguesa em relação à sua área, será o paiz mais rico do mundo.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Goa e os meus postais


Durante cerca de 5 meses estive em Goa ao serviço da Fundação Oriente, a exercer as mesmas funções que tinha desempenhado entre 1998 e 2000. O trabalho que agora me foi solicitado por alguns meses consistiu, sobretudo, na gestão de um projecto que está em vias de conclusão. Encontro-me em Lisboa desde meados de Março, a monção aproxima-se e, consequentemente, o meu regresso a Goa já não se justifica.
Com a indispensável ajuda técnica do Luís Silva Nunes, durante a minha permanência em Goa, editei regularmente no Água Aberta alguns POSTAIS DE GOA, mas tendo regressado a Lisboa, interrompi a sua publicação.
Não me parece impróprio que, mesmo ausente de Goa retome a publicação de alguns dos textos que ainda lá preparei, sob o mesmo título genérico, embora os eventuais leitores fiquem a saber que o autor já não está em Goa e que, portanto, os postais apenas estão a ser recebidos com atraso.