sábado, 9 de janeiro de 2010

O poder das palavras

Notícia do Público (09JAN10)
Igrejas atacadas na Malásia por uso da palavra Alá
Na Malásia os Cristão utilizam a palavra "Alá"para designar Deus, tal como acontece noutros países de maioria Muçulmana como o Egipto, o Líbano e a Indonésia. O uso desta palavra tinha sido proibido há três anos, mas o Supremo Tribunal deu razão a um recurso que pretendia continuar a usar essa palavra. Porque os muçulmanos consideram que a palavra Alá é "só para eles" alguns grupos atacaram quatro igrejas cristãs em Kuala Lampur destruindo uma com uma bomba artesanal.
Consideram os muçulmanos que ao utilizarem a palavra "Alá" o que os cristãos pretendem é converter muçulmanos.
Esta notícia pode relacionar-se de algum modo com a polémica que se tem travado em torno do designado "casamento” para os homossexuais e lésbicas. Na realidade, para além de todas as questões relacionadas com a orientação sexual, liberdades, direitos civis e humanos, aquilo que possivelmente mais baralhará as pessoas é o uso da palavra casamento.
Queiramos ou não, a nossa matriz civilizacional e cultural reserva a palavra casamento para uma relação que, podendo ser afectiva e sexual, tem sobretudo a ver com a organização e evolução das sociedades humanas. Como muito bem o demonstra Denis de Rougemont, em "O Amor e o Ocidente" amor, paixão e sexo na nossa Idade Média não tinham obrigatoriamente nada a ver com o casamento. O casamento era um mero contrato social destinado a assegurar a continuidade da propriedade (incluindo eu nesta propriedade os genes embora nessa época esse conceito não fosse conhecido, mas o nome de família estando relacionado com a "gen" o comporte em termos semânticos)
Considero que esta polémica é no fundamental uma manifestação folclórica de alguns intelectuais, artistas, e políticos, muito “in”, mas sem qualquer relação com o povo e sobretudo, com a orientação sexual de muitos e muitos homossexuais e lésbicas que por esse país sofrem para encontra a sua realização afectiva e sexual. A maior parte dessas pessoas vai sofrer na carne ainda maior descriminação e violência psicológica ao contrário dos intelectuais, políticos e artistas “”in” que tirarão os benefícios e continuarão a fortalecer o seu lobby de poder.
Pessoalmente, acho que os homossexuais e lésbicas são seres humanos vivendo em sociedade e por isso têm o direito à felicidade e cidadania. Devem poder celebrar entre si o contrato de vida em comum que quiserem e a lei deve contemplar essa possibilidade, mas isso não quer dizer que seja um casamento nos termos históricos e culturais consagrados nas nossas sociedades.
Finalmente, tal como os muçulmanos na Malásia temem que o nome de Alá seja utilizado para fins de conversão, não será que estaremos em presença de utilização da palavra "casamento" para os que não são ou não se sentem homossexuais e lésbicas se convertam?

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Postal de Goa (X)

O NAUFRÁGIO DA LANCHA GOA EM 1901


Na cidade de Pangim, sobre o passeio marginal do rio Mandovi que se situa em frente do edifício que aloja a Central Library e o Instituto Menezes Bragança, encontra-se um memorial evocando o trágico naufrágio da lancha Goa, que aconteceu no dia 3 de Dezembro de 1901.
O dia 3 de Dezembro é o dia de S. Francisco Xavier e é o dia da grande festa goesa. Durante a semana que o antecede, muitos milhares de pessoas de Goa e de fora de Goa, católicos e não católicos, dirigem-se para Velha Goa para festejar e venerar o Goencho saib e rezar perante as suas sagradas relíquias.
Em 1901 assim terá acontecido, mas nesse tempo não havia pontes e os transportes marítimos eram muito precários.
No dia 3 de Dezembro a lancha Goa deixou Verém em direcção a Pangim, numa curta travessia do rio Mandovi que não deveria demorar mais de 10 minutos. Não estaria em boas condições de navegabilidade e terá largado com excesso de passageiros. Transportava cerca de 160 pessoas e afundou-se, tendo perecido 34 homens, 47 mulheres e 11 crianças.
Uma desgraça nacional no maior dia de festa dos Goeses!
A imprensa da época relata circunstanciadamente este episódio, bem como as operações de busca e salvamento efectuadas, os apoios dados aos sobreviventes e os trabalhos de recuperação da lancha afundada.
Mais tarde, o historiador Ismael Gracias sugeriu que fosse colocado um memorial para evocar os mortos, nas proximidades do local onde ocorreu o naufrágio, mas porque não foi possível mobilizar recursos em Goa para esse efeito, foi a comunidade goesa de Aden que angariou os fundos necessários para a construção do memorial.
A memória histórica e a religiosidade dos Goeses revela-se na frequência com que neste memorial são vistas grinaldas de flores e velas acesas.

NOTA: Todas as imagens podem ser ampliadas, "clicando" sobre elas.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Gritante

Termina hoje, com o dia de Reis, a quadra festiva natalícia.

Certa e felizmente, todos os membros, colaboradores e visitantes da “Água Aberta” passaram este período no calor das suas Famílias, com mesa composta segundo a tradição e com saúde, natural ou providenciada com os meios de que cada um dispõe.

Mas há outro mundo, retratado de forma chocante no DN de ontem, com notícia na primeira página e desenvolvimento na segunda: no espaço de 12 horas, no domingo anterior, tinham morrido em Lisboa nove idosos, pobres, sem quaisquer recursos, abandonados à sua sorte, em solidão, provavelmente doentes. E cerca de 15 000 aguardavam em filas de espera em lares públicos.

A população portuguesa está a envelhecer, a pobreza a aumentar, muita dela camuflada pela vergonha e a riqueza nacional cada vez mais iniquamente distribuída.

Que fazer? Deixar abandonar cada um à sua (má) sorte ou aceitar e contribuir para que a colectividade trate de maneira condigna e humana os seus velhos, pobres e doentes mais carenciados? Com estruturas, com humanidade, haja vontade para tal. O dinheiro, esse, arranja-se sempre, como se tem visto nos últimos tempos para outros fins.

Como dizia um comentador radiofónico hoje de manhã a propósito deste assunto, não nos estaremos a deixar tornar “assassinos por omissão”? O qualificativo é forte, mas mais forte é o estado em que muitos dos nossos semelhantes vivem.

Que este ano seja bem melhor para todos.

Advogados, sempre!

Os investimentos em contrapartidas não aparecem, mas a despesa com a comissão não pára. Ficámos agora a saber quem são os chupistas. Vejam só:


Comissão de Contrapartidas rompeu com escritório de Sérvulo Correia.

Honorários incomportáveis ditam divórcio. Contrapartidas executadas apenas a 30%
A Comissão Permanente de Contrapartidas (CPC) disse ontem ao Parlamento que dispensou os serviços do escritório de advogados que a assessorava, porque os honorários que cobrava se tornaram incomportáveis, confirmou o DN junto de diferentes fontes.
Em causa está o escritório de advogados liderado por Sérvulo Correia, embora o presidente da CPC, embaixador Pedro Catarino, não o tenha identificado durante a audiência de ontem com a Comissão parlamentar de Defesa.
Esse escritório, segundo as mesmas fontes que pediram anonimato, apresentava "honorários principescos" à CPC por "serviços cobrados ao minuto" - o que tinha grande peso no orçamento da comissão, reconheceu Pedro Catarino na informação enviada por escrito à Comissão de Defesa.
O embaixador explicou ainda nesse documento, ainda para justificar a decisão, que a CPC vivia numa situação de "dependência crónica" daquele escritório de advogados para actuar numa área que envolve programas de contrapartidas - pela compra de sistemas de armas e equipamentos militares - estimados em 2,8 mil milhões de euros e cuja taxa de execução ronda apenas os 30%.
Pedro Catarino terá mesmo dito ontem, aos deputados, que "uma das [suas] grandes medidas foi prescindir" de uma ligação que impunha "encargos muito pesados" à CPC e da qual estava praticamente 'refém'.
O embaixador, no final da longa audiência com a Comissão de Defesa, disse aos jornalistas que não é possível falar em incumprimento dos programas de contrapartidas, porque os contratos ainda estão em vigor. A título de exemplo, Pedro Catarino lembrou que o dos submarinos só termina dentro de três anos e os outros "mais tarde".
A taxa de execução dos diferentes programas - relativos à compra de submarinos, dos caças F16, dos aviões de transporte C295, das viaturas blindadas Pandur ou dos helicópteros EH101 - varia consoante os programas, mas globalmente ronda os 30%. Para tentar inverter essa situação, Pedro Catarino disse haver várias possibilidades,desde a renegociação dos contratos ao prolongamento da sua duração ou ainda à aplicação de multas.
Luís Campos Ferreira (PSD) disse aos jornalistas que a reunião com Pedro Catarino "foi produtiva", sendo suficientes para reforçar as críticas do partido.
"O panorama é preocupante", pois "as perspectivas" de execução daqueles programas são muito baixas, salientou o deputado, responsabilizando o Governo pela paralisia da CPC nos "nove meses" que se seguiram à posse de Pedro Catarino.
António Filipe (PCP) criticou a "enorme irresponsabilidade" dos Governo PS, PSD e CDS-PP no acompanhamento dos grandes investimentos associados às contrapartidas. "Não saio optimista" da audiência, acrescentou.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mar - Investigação

Para os que se interessam pelas coisas do mar.

Um "link" para o "El País" de notícia de 26-11-2009


Conferência na Fundação Calouste Gulbenkian

Embora com algum atraso, aqui deixo o aviso de realização de mais uma uma conferência na próxima 6ª feira, dia 7 de Janeiro.
Um abraço
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"Conferência na Fundação Calouste Gulbenkian

7 Janeiro 2010 17h30 O Dia em que nasceu a Ciência João Caraça
19h00 Observações astronómicas de Júpiter

Há exactamente 400 anos, na noite de 7 de Janeiro de 1610, em Pádua, Galileo Galilei começou a registar as observações que estava a efectuar sobre os satélites de Júpiter e que ele designou por “Estrelas Mediceias”em homenagem à família dos arquiduques de Florença.

Este registo tão singelo abriu um longo caminho que tem sido percorrido incessantemente desde então. A Ciência Moderna saiu completa das mãos de Galileu: o uso de instrumentos científicos de observação; a utilização de uma linguagem matemática; a publicação dos resultados; isto é, as suas principais características, que a distinguem dos outros domínios de conhecimento e dos saberes antigos sobre a natureza, possuem todos a marca de Galileu.

Muitos ilustres e extraordinários cientistas viram a luz e a iluminação da descoberta nestes últimos quatro séculos. A celebração das suas ideias e o desenvolvimento de uma atitude científica perante a vida são a melhor garantia de que encaramos o futuro com confiança.

João Caraça
Director do Serviço de Ciência
Fundação Calouste Gulbenkian

Fundação Calouste Gulbenkian Auditório 2
Transmissão directa nos espaços adjacentes
Vídeodifusão: http://live.fccn.pt/fcg/"