sábado, 2 de janeiro de 2010

O balde da Beira




Os navios ingleses que participaram no bloqueio ao porto da Beira, em aborrecidas patrulhas de três semanas de cada vez, ocupavam o tempo em competições desportivas, como hoquei no convés, e criaram um troféu, que era um balde de ferro velho pintado com os nomes dos vencedores, que ia passando de navio em navio. Esse balde está no museu naval de Portsmouth, onde eu o vi e já em 1979/80 escrevi na Revista da Armada sobre isso.


Navegando agora na net, descobri um forum de marinheiros ingleses que fala sobre o assunto e colhi mais alguma informação. Descobri que recebiam correio por via aérea que era lançado ao mar de paraquedas pelos velhos aviões Shakleton, talvez baseados em Aden, que na altura ainda era britânico. No meu tempo nunca detectámos estas manobras; deviam fazê-las bem longe do nosso olhar, mas aqui fica uma fotografia que lhes bifei e mais uma do balde.


O bloquei durou onze anos, envolveu 76 navios que interceptaram 47 navios tanque, sem qualquer resultado prático, visto que o combustível para a Rodésia continuava a entrar por outras vias.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ano Novo, Vida Nova

Por ser dia 1 de Janeiro, considerei adequado escrever qualquer coisa. Entretanto estava entretido a ler a Visão desta demana (nas bancas a 31 de Dezembro) e deparei na página 6 com esta referência aos resultados do habitual inquérito semanal, a qual reproduzo, com a devida vénia.

Considero que a valia estatística deste inquérito é questionável, mas faz-me pensar e suponho que deverá provocar um pensamento crítico na hierarquia da Igreja Católica.

Acrescento que, para mim, Jesus Cristo é de esquerda.

Tenham um bom fim de semana!


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010


Começou a passagem. Bom ano para todos.

Bom Ano de 2010 para todos



quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A Saúde como espelho do país

O Público de ontem trazia uma notícia sobre a saída dos médicos do serviço público de saúde para o privado e das consequências que isso pode ter na formação dos jovens médicos. Em determinada altura pode ler-se (sic): "A estudante da Faculdade de Medicina de Coimbra fala da observação de um doente por 15 internos. Não é ético para o doente. Na Faculdade de Medicina de Lisboa, diz que se chegou ao cúmulo de haver cinco estudantes a fazer toque rectal a um único doente."
Parece-me uma bela metáfora do que se passa no país! Tal como os internos fazem aos doentes nos hospitais, nós todos servimos de cobaias aos aprendizes de feiticeiro da política, da economia, da educação, etc, que se divertem connosco a experimentar as suas habilidades de toque rectal e vão observando as nossas reacções,
O que me espanta mais nisto tudo é ninguém se queixar! Até parece que começam a gostar! Como vem dizendo o Temes, por onde anda o direito à indignação?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Postal de Goa (IX)

O FORTE DE ALORNA

Em meados do século XVIII o Brasil e as suas riquezas despertavam todas as atenções do Reino de Portugal, enquanto o Estado da Índia atravessava um período de grande decadência, depois da perda de muitos dos seus territórios para a Companhia das Índias Holandesas (VOC).
Em 1739, perante a indiferença dos ingleses instalados em Bombaim, os exércitos maratas tomaram Baçaim, a capital da rica Província do Norte e, mais a sul, cercaram Goa. A solução encontrada para libertar Goa da pressão marata passou pelo abandono de Chaúl.
A gravidade da situação foi então compreendida em Lisboa e o Estado da Índia voltou a merecer atenção e a receber reforços, para recuperar a Província do Norte ou levar as fronteiras de Goa mais para o interior.
O território de Goa era constituído apenas pelas chamadas Velhas Conquistas e a opção foi alargar o seu território pelas vias militares e negociais.
Depois do curto vice-reinado do Marquês do Louriçal, sucedeu-lhe D. Pedro Miguel de Almeida e Portugal, marquês de Castelo Novo, um experiente administrador colonial que já exercera as funções de governador de São Paulo e Minas do Ouro do Brasil. O novo vice-rei procedeu à ocupação das praças de Bicholim, Sanquelim e Tiracol e, no dia 5 de Maio de 1746, tomou pelas armas o forte de Alorna, situado na margem direita do rio Chaporá, no concelho de Perném.
Os novos territórios passaram a ser conhecidos por Novas Conquistas e aos 786 km2 que os portugueses dominavam, em poucos anos foram-lhe acrescentados cerca de 2825 Km2.
Em 1723 o vice-rei Almeida e Portugal tinha adquirido a Quinta de Vale de Nabais em Muge. Porém, quando em 1750 regressou de Goa a Portugal, o Rei D. João V concedeu-lhe o título de Marquês de Alorna, em reconhecimento pelos actos de bravura praticados na tomada daquela praça forte, o que o levou a mudar o nome da sua quinta para Quinta da Alorna.
O forte de Alorna tem uma configuração pentagonal irregular e tem 4 baluartes, sendo protegido por um fosso que podia ser facilmente inundado pelas águas do rio Chaporá.
Embora em 1983 o governo de Goa tenha classificado o forte de Alorna como património histórico, o facto é que actualmente se encontra em precárias condições e coberto pela vegetação.

(Para ampliar,"clicar" na imagem)

Em Portugal, a palavra Alorna está hoje associada à obra literária de Leonor de Almeida Lorena e Lencastre, 4.ª marquesa de Alorna, cuja poesia está reunida nos seis volumes das “Obras Poéticas da Marquesa de Alorna”, mas também aos vinhos da Quinta da Alorna (http://www.alorna.pt/), mas poucos saberão esta curiosa história da forma como, em meados do século XVIII, este topónimo navegou de Goa para Portugal.