quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Artigo TCor Brandão Fereira

O artigo publicado no Público sobre o tema submarinos está na linha da escrita do Brandão Ferreira e ainda por cima tem razão. Sempre gostava de saber se alguma oficial da Marinah teria a coragem de vir a terreiro defender a aquisição de qualquer avião para a Força Aérea.!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ainda os submarinos II

Aqui vai a transcrição:

OUTRA VEZ OS SUBMARINOS!
20/10/09

Alguém acredita que se tivéssemos políticos e partidos do “calibre actual”, no século XV, alguma vez Vasco da Gama teria, não direi, chegado à Índia, mas sequer saído a barra do Tejo?

O autor


Já demos que sobre para este peditório, mas enfim, uma esmola mais não fica mal a ninguém.
Já não bastava que o processo de substituição da anterior esquadrilha de submarinos (Portugal tem submersíveis desde 1913, primeiro que a Espanha), se tivesse arrastado entre as mais diversas peripécias, durante cerca de 15 anos; que politicamente nunca se tivesse explicado devidamente todo este assunto; que nunca houvesse defesa institucional consistente; que tivessem “inventado” um sistema de financiamento perigoso e caro mais próprio de uma empresa de vão de escada do que de um estado soberano; que tenha havido oficiais generais a discordarem na praça pública da compra dos submarinos, já depois da decisão tomada; que o número de unidades tenha sido reduzido de três para duas, mutilando a nova esquadrilha de coerência operacional; que o lançamento à água dos novos submarinos que deveria constituir um momento de orgulho nacional, se fizesse na semi clandestinidade, etc., etc., para agora que é preciso começar a pagá-los, estando estes já a fazerem provas de mar, corram os mais insistentes boatos que o governo os quer vender! Isto não é sério, mas tem que ser levado a sério.
E no momento em que se descobre que é preciso dinheiro para os pagar – que ninguém acautelou, apesar de estar previsto nas Leis de Programação Militar que, aliás, também não são para levar a sério – desabam na imprensa notícias, em momento político delicado, de que há eventuais suspeitas de “fraude”/corrupção sobre o ministro que, mal ou bem, teve a coragem de assinar o contrato, e gera-se a maior confusão, com ameaça de processos judiciais, relativamente a falhas grosseiras no cumprimentos da contrapartidas contratuais.
No auge da confusão no meio de um jantar/convívio/debate/arruada/comício, em que é fértil a nossa vida partidária, o presidente do PS, Dr. Almeida Santos – que já foi nº dois da hierarquia do Estado – pergunta-se a si próprio se é burro, já que lhe escapa a necessidade do país ter submarinos, e nem vale a pena analisar os termos em que o fez, embora fosse curioso saber quem lhe encomendou o sermão.
O Dr. Almeida Santos seguramente que não é burro, no sentido popular do termo que significa não ser lerdo no entendimento das coisas ou a na verbalização das ideias; não tenho dados para saber se é inteligente, mas é seguramente esperto, senão não tinha tido a vida que teve. Mas, no caso vertente, é ignorante - um ignorante atrevidote. E foi pena que o Almirante Chefe da Armada, questionado sobre a questão, não lhe tenha respondido à letra. Compreendemos a delicadeza da questão, mas é por causa destas e muitas outras que os atrevidotes ignorantes (ou pior do que isso), continuam a dizer e a fazer coisas que vão desgraçando a Nação, com total impunidade. Um dia alguém vai ter que se sacrificar…
Mas vamos lá condensar rapidamente as razões porque necessitamos dos submarinos (e ainda de muito mais), pois parece que ninguém quer assumir estas coisas.
Como se sabe as FAs servem em tempo de guerra para combater, pela violência, os inimigos e em tempo de paz, para pôr em respeito os amigos. Neste âmbito devem constituir-se como elemento fundamentais de soberania, dissuasão, segurança e uma outra coisa que se deixou de falar, que é serem garantes da “unidade do Estado”.
Ora podemos elaborar sobre uma quantidade de missões que os submarinos podem fazer ou ajudar a fazer:
- manter uma escola de saber centenária;
- garantir treino autónomo (inclui outros Ramos);
- valorizar a componente de navios de superficie (sem o seu apoio pouco vale);
- projectar Poder;
- obter capacidade de dissuasão autonoma (único meio que Portugal terá,juntamente com os F-16);
- aumentar as opções tácticas e até estratégicas;
- vigiar as águas territoriais e a enorme ZEE de que dispomos e,também, a plataforma continental (cerca de três milhões de Km2);
- ajudar a garantir a navegabilidade de linhas de comunicação marítima de interesse nacional;
- colaborar no combate ao contrabando e tráfego de droga;
- aumentar as opções em termos de operações especiais, etc.
Mas as razões principais são de estratégia pura e dura, que derivam de uma “ditadura” geográfica, que gera uma realidade geopolítica que não podemos contornar, e que é perfeitamente entendível em duas frases de portugueses ilustres de antanho. São eles o cronista Gomes Eanes de Azurara “por um lado nos cerca o mar e por outro temos muro no reino de Castela”; e D. João II, “conter Castela em terra e batê-la no mar”.
Isto quer dizer, em termos simples, que só temos fronteira com um único país (quatro a cinco vezes mais poderoso) e que não podemos fechar a fronteira marítima que é não só a nossa janela de liberdade como de oportunidade. E político português que não saiba isto ou não perceba isto, é indigno de ocupar qualquer cargo de responsabilidade. Percebe-se que seja politica e diplomaticamente melindroso, quiçá inconveniente, assumir isto publicamente, por isso é que temos que formar elites que saibam estas e outras coisas básicas, que devem constituir os nossos “segredos de família”.
Não se pode é, ainda por cima, andar a fazer chicana política com coisas sérias. E para o caso de ninguém neste desconchavado país que ainda é o nosso, se ter dado conta, a Espanha está em vias de possuir duas fortíssimas “task force”, uma no Atlântico e outra no Mediterrâneo, com um porta aviões cada e numerosos vasos de guerra de superfície e submarina, do mais moderno que há no mundo. Não pagam em leasing e não há notícias de contestação.
Por tudo isto faz todo o sentido que os novos submarinos “Arpão” e “Tridente” sejam aumentados ao efectivo da “Briosa” e que a população se reveja neles e acarinhe as guarnições, porque na roda do leme, continua lá escrito “A Pátria honrai que a Pátria vos contempla”.
O que não faz sentido é gastar-se biliões de contos, por exemplo, no sistema educativo e o resultado ser a medíocre formação da grande maioria dos nossos jovens em termos culturais, físicos, morais, cívicos, ou seja em todos os âmbitos que devem fazer parte da formação de um cidadão completo.
O que não faz sentido é ter submarinos e depois não os operar de um modo eficaz (que não eficiente), não haver gente que se proponha a arriscar a vida a operá-los ou, sendo necessário, não existir liderança com coragem para mandar disparar. Isto sim, seria um desperdício.
Não querer submarinos é renunciar à independência. E, calhando, é isto mesmo o que está em causa.
Gostaria de voltar a ter gente séria a governar o meu país.



João José Brandão Ferreira
TCor Pilav (Ref)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Ainda os submarinos

Aconselho a leitura do excelente artigo sobre o assunto, publicado na penúltima página do "Público" de hoje, da autoria do nosso camarada da FA José Brandão Ferreira.
A alguém que o consiga, agradeço que o transcreve para aqui.

domingo, 25 de outubro de 2009

Apúlia

Recebido do OCeano Fernando de Sousa Maciel o seguinte:

"Com muita mágoa li a notícia sobre a " Estação Radionaval Almirante Ramos Pereira", na Apúlia, inserida no Jornal de Notícias, que agora recebi por correio electrónico.
Fui Director daquela estação de 1978 a 1982. Sei bem do orgulho de todos os oficiais, sargentos e praças que ali prestaram serviço até ao fecho da estação em 1991. Adivinho a tristeza e a revolta que todos sentirão pelo estado de degradação a que as Autoridades Portuguesas deixaram chegar aquele património. Imagino a revolta e a repugnância das populações da Apúlia, em particular das de Criaz, pela deserção e irresponsabilidade evidenciadas pelas entidades competentes. Algumas vezes foi necessária a intervenção do Director da Estação para negar ou embargar construções na Área de Servidão, frustrando a realização de sonhos e investimentos, muitos deles de emigrantes.
Como poderão essas pessoas compreender tanto desleixo, tanto abandono, tanto desprezo por um património que, afinal, em tempos idos, muitas vezes lhes causou prejuízos?
Junto a minha voz de protesto à dos autores da notícia.

Lisboa, 25 de Outubro de 2009

Fernando de Sousa Maciel
"

Nota: A notícia a que se refere o Fernando Maciel pode ser lida aqui. Embora nunca tenha estado na Apúlia não posso deixar de compreender o estado de espírito deste nosso camarada e amigo e concordar com ele em toda a linha. É simplesmente deplorável o estado de degradação a que deixaram chegar as instalações da Estação Radionaval Almirante Ramos Pereira.

20 dias 17h 08m e 15s

Foi o tempo que Francisco Lobato levou a ir do Funchal a S. Salvador da Baía, a segunda etapa da regata (em solitário) Transat 6.5 2009, o que lhe assegurou a vitória na classificação geral com 26 dias 19 horas 39 min 18 seg.
Retiro de um comentário colocado no site do velejador:

"Aqui está um Campeão com todo o mérito. Aqui está o virar da página na vida do Francisco. Aqui está o início de uma nova era na vela nacional e internacional."

Nota: Esta "onda" vem na sequência das do JNB de 17 e 19 de Setembro passado. Desta vez teve "falha-de-fogo" ... parece que resolveu voltar a trabalhar e tem pouco tempo para regatas.