sábado, 26 de julho de 2008

Spam Lusitano

Não resisto a reproduzir, pedindo vénia à autora e ao editor, o magnífico texto de Clara Ferreira Alves, na Única do Expresso de hoje.
Aliás, tem vindo a ser assim nas últimas semanas. Só por estes artigos, vale a pena comprar o Expresso. Mas, felizmente, há mais, muito mais!
Manel, não sabes quanto perdes! Tem um bom fim de semana!
Também para os restantes OCeanos!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Mais ESMERALDA

Mais uma mensagem sobre este assunto foi recebida (251011Jul08):

"Exmos Senhores,
Em complemento ao email que enviei, sobre o navio de ferrocimento "Esmeralda", não mencionei, por esquecimento, que o comando e supervisão da colocação das cargas explosivas a bordo do "Esmeralda", foi da responsablidade do vosso ex-camarada de curso da Escola Naval, o já falecido CTEN Santos Roque. Anexo as restantes fotos dos últimos momentos de flutuação do "Esmeralda".

António Moleiro"


Parque de Campismo na Praia da Poça - Estoril




Detectei ontem e confirmamos esta manhã, durante o passeio higiénico no paredão de Cascais, a existência de um parque de campismo clandestino, localizado no parque de estacionamento da Praia da Poça, constituido por duas caravanas, uma com matrícula portuguesa e outra espanhola e duas carrinhas, uma com matrícula belga e outra francesa.

Interrogo-me se não seria possível, de entre as três autoridades policiais que costumam fiscalizar o paredão - Polícia Marítima, Polícia Municipal e Polícia de Segurança Pública - que uma delas tratasse de impedir tal desaforo pois, salvo melhor opinião, o campismo só é permitido em Portugal em parques de campismo, devidamente assinalados, o que não é o caso.

Interrogo-me também se este tipo comportamento corresponde ao "Turismo de Qualidade" defendido para Portugal, "Allgarve" incluido, pelas entidades governamentais.

Os meus agradecimentos ao Barreiras pelas fotografias que acompanham este apontamento

Tenham um bom fim de semana!

ESMERALDA

Recebida na nossa caixa de correio a seguinte mensagem (de António Moleiro, amoleiro@hotmail.com ):

"Exmo. Senhor Fernão

Sobre a pergunta que o Exmo Senhor, faz no seu blogue, sobre se ainda existe nas INIC o navio Esmeralda. Em anexo envio a foto do "Esmeralda" momentos antes de ser afundado, ao largo de Angola, em pleno Oceano Atlântico, pelo NRP ÁLVARES CABRAL F336, em meados de 1969."


quinta-feira, 24 de julho de 2008

INSPEÇÕES AUTO



[…]»
Decreto-Lei n.º 136/2008
de 21 de Julho
A periodicidade da realização das inspecções técnicas
periódicas de veículos encontra -se actualmente referenciada
ao mês correspondente à respectiva matrícula inicial,
de acordo com o previsto no artigo 6.º e no anexo I ao
Decreto -Lei n.º 554/99, de 16 de Dezembro, alterado pelos
Decretos -Leis n.os 107/2002, de 16 de Abril, e 109/2004,
de 12 de Maio.
Tal facto tem vindo a permitir que os veículos sujeitos
a inspecção periódica sejam habitualmente apresentados
nos centros de inspecção no final do mês correspondente à
matrícula inicial, o que origina grande afluxo de veículos
nesse período, contribuindo tal situação, muitas vezes, para
dificuldades na realização atempada das inspecções e para
a deficiente qualidade técnica das mesmas.
Assim, a fim de que as inspecções periódicas possam
ocorrer ao longo de todos os dias de cada mês, determina -se
agora que a referência da periodicidade das inspecções seja
feita não só ao mês como também ao dia da correspondente
matrícula inicial.
Por outro lado, considerando que, por vezes, os veículos
alteram as suas características técnicas e, em consequência,
a periodicidade das suas inspecções periódicas, através do
presente diploma visa -se criar norma expressa que preveja
a forma de transição a que ficam sujeitos tais veículos,
fazendo caducar a anterior ficha de inspecção.
Altera -se, pois, em conformidade, o artigo 6.º do Decreto-
-Lei n.º 554/99, de 16 de Dezembro.
Assim:
Nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 198.º da Constituição,
o Governo decreta o seguinte:
Artigo 1.º
Alteração do Decreto -Lei n.º 554/99, de 16 de Dezembro
O artigo 6.º do Decreto -Lei n.º 554/99, de 16 de Dezembro,
alterado pelos Decretos -Lei n.os 107/2002, de 16 de
Abril, e 109/2004, de 12 de Maio, passa a ter a seguinte
redacção:
«Artigo 6.º
[…]
1 — Sem prejuízo do disposto nos n.os 2 e 3, nas inspecções
periódicas, os veículos devem ser apresentados
à primeira inspecção anual e às subsequentes até ao
dia e mês correspondentes ao da matrícula inicial, de
acordo com a periodicidade constante do anexo I ao
presente diploma.
2 — Os veículos sujeitos a inspecções semestrais
devem ser apresentados a inspecção até ao dia correspondente
ao da matrícula inicial, no sexto mês após a
correspondente inspecção anual, de acordo com a periodicidade
constante do anexo I ao presente diploma.
3 — Podem, ainda, as inspecções periódicas ser sempre
realizadas durante os três meses anteriores à data
prevista nos números anteriores.
4 — As inspecções extraordinárias para identificação
ou verificação das condições técnicas dos veículos não
alteram a periodicidade das inspecções periódicas estabelecidas
no anexo I, salvo se aquelas forem realizadas
durante os quatro meses anteriores à data limite em que
a correspondente inspecção deveria ter lugar.
5 — Sempre que um veículo aprovado em inspecção
periódica deva ficar sujeito a periodicidade diferente da
anterior, em consequência da alteração das suas características
técnicas, fica sem efeito a ficha de inspecção
anteriormente emitida, devendo o veículo ser submetido
à inspecção periódica de acordo com a nova periodicidade
prevista no anexo I ao presente diploma».

COM A DEVIDA VÉNIA

2008/07/24
Jurar Bandeira
João Brandão Ferreira

«Oh gente ousada mais que quantas ….» (Lusíadas)
Os cadetes do 1º ano da Academia Militar (AM) juraram bandeira no dia 31 de Maio. O Patrono dos Cursos do Exército e GNR ali representados, é a figura insigne do Marechal de Campo António Teixeira Rebelo. A cerimónia decorreu impecável. A casa mãe do Exército está de parabéns. Também lá suei as estopinhas e queimei as pestanas. Não estou arrependido.
E se sobre a organização e desenrolar da cerimónia, pelo que fica dito, nada mais é necessário acrescentar, já quanto ao significado do acto que a justifica, é mister tecer umas quantas considerações. O Juramento de Bandeira (JB) tem as suas origens, no que nos diz respeito, na Idade Média, no espírito da cavalaria e no juramento de fidelidade ao Rei. Curiosamente não se sabe ao certo, quando e como, se deu início à “liturgia” actual. Mas é hábito enraizado e antigo.
O ritual é simples mas transcendente: o cidadão agora transformado em militar assume um compromisso de honra e de sangue – a sua honra e o seu sangue -, para com a defesa do seu torrão natal e que, com o conjunto das famílias que nele nasceram, constitui a Nação dos portugueses. Esta Nação mercê de uma vivência de séculos gerou uma comunidade de afectos e de interesses que se individualizaram e assumiram numa identidade própria e se sublimaram numa alma colectiva: a Pátria. E juraram também, num patamar que se não pode ter como idêntico, defender a Constituição da República (CR) que transitoriamente rege o Estado, ou seja, a Nação politicamente organizada. E não deixa de ser curioso notar que a única vez que a actual CR fala na palavra “Pátria” é justamente no seu artº 276 “Defesa da Pátria, serviço militar e serviço cívico”.[1]
O juramento tem, porém, uma particularidade que não tem paralelo em mais nenhum grupo profissional, nem em qualquer código ético-deontológico: é que a defesa daquilo que se jura pode implicar a doação da própria vida. Daí também a transcendência do acto. Nem os preceitos religiosos são de uma tal exigência. Este acto assume na Instituição Militar tal importância que os incorporados nas fileiras, juram bandeira logo no fim da recruta, isto é, logo que é dado como finda a sua mutação do “ser civil” em “ser militar”.
Aos futuros oficiais do Quadro Permanente (QP) é dado, contudo, um ano lectivo para melhor preparação e reflexão. Parece importante frisar isto: num sistema de serviço militar de conscrição, todos são obrigados a jurar bandeira, pois a defesa colectiva a todos obriga e não deve abrir excepções a ninguém. Num sistema de voluntariado, só lá está quem quer. E por maioria de razão para o pessoal dos QP, que vão fazer do ofício das armas, profissão para a vida.
É pois uma opção consciente de um homem livre e que o acompanha até à tumba. Morrer faz, pois, parte do ofício e ninguém sabe como irá reagir quando, e se, chegar a sua vez. Espera-se que cada um saiba cumprir o seu Dever. Por isso é que o compromisso é público e ritualizado. O treino e o conhecimento vêm depois e tal é fundamental para que o eventual inimigo morra primeiro pela Pátria dele, do que nós pela nossa. Façam o favor de ter isto em devida conta.
Desde o campo de S. Mamede, em 1128, muitos foram os que baquearam, até hoje, na defesa desta Ideia chamada Portugal. Por isso os evocamos em todas as cerimónias militares. Assim deve continuar a ser.
Convém, acentuar que o juramento feito é a Portugal e à Bandeira Nacional e tal não pode ser esquecido, nem obliterado, ao longo dos tempos, independentemente das organizações políticas, económicas, de segurança, defensivas, etc., de que o país faça parte ou venha a fazer parte; e o mesmo se deve dizer relativamente a lealdades ou obediências várias, de carácter político, religioso, financeiro ou de negócio, visíveis ou mais discretamente assumidas, que se possam vir a cruzar na vida de cada um.
Umas sugestões para finalizar. Este ano, a AM teve a feliz ideia de trazer a cerimónia do JB para o palco magnífico frente à Torre de Belém – onde os nautas de antanho zarparam até aos confins do mundo e daí regressámos. Mas penso que o lugar apropriado para os futuros oficiais do QP das FAs, jurarem bandeira deve ser junto ao Castelo de Guimarães.
Foi lá que tudo começou e de lá houve nome “Portugal”. Aquelas muralhas representam o último reduto da protecção da Nação e são eles, cadetes, que no futuro irão constituir o esteio da sua defesa.
A cerimónia seria comum aos cadetes dos três ramos – eles devem entender que estão nisto juntos -, e ser sempre presidida pelo mais alto magistrado da Nação, não só pelas razões apontadas do anterior mas, também, por ele ser por inerência o Comandante Supremo das FAs, símbolo da independência nacional e ser ele outrossim, que assina as cartas patentes dos oficiais, quando são promovidos a alferes/guarda marinha do QP. Tal não acontece com mais nenhuma profissão. Arrisco ainda a sugerir que a cerimónia devia ser antecedida de uma outra do tipo “velada de armas”.
Não arrisco, porém, nada em dizer que passaríamos a ser um país mais decente, se a cerimónia do JB fosse transmitida em directo e na abertura dos telejornais. Mas isso já é outra história. Parabéns aos 99 cadetes que tiveram a coragem de estender o braço direito em direcção ao Estandarte Nacional à guarda do Corpo de Alunos. Bem-vindos e boa sorte no seio da família militar. Acabaram de ganhar jus a serem um dos nossos.

[1] Lamentavelmente não fala uma única vez em “Nação”.

COM A DEVIDA VÉNIA

O Toque a Silêncio

No dia 26 de Julho, na Igreja da Força Aérea, em S. Domingos de Benfica, pelas 10 horas, vão ser homenageados os militares portugueses mortos, de armas na mão, em terras de África e cujos corpos por lá ficaram sepultados nas matas distantes.

Esta homenagem genérica corporiza-se agora perante os restos mortais de três soldados pára-quedistas que foram exumados do solo da Guiné-Bissau, mortos em 1973. Vão, finalmente, repousar nas suas terras natais, depois de uma longa ausência de 35 anos!
Estes são os primeiros de muitos que por lá jazem já nem se sabe onde ao certo.

Ao mesmo tempo que nos honra a nós militares o regresso à terra de onde partiram estes três soldados que derramaram o seu sangue e entregaram a vida por uma causa e numa guerra da qual foram vítimas inocentes, este regresso é, também, uma mancha escura na História que os políticos do pós Abril de 1974 quiseram escrever. É uma mancha bem escura, porque mostra o desprezo de que quem nos governa por todos os que sacrificaram o último sopro de vida de armas na mão, em guerra, servindo Portugal.

Que não apareçam na igreja de S. Domingos de Benfica, no dia 26 de Julho, os senhores ministros, porque vão com a sua presença macular um momento sagrado dos militares. Vão macular, pois a estarem presentes, sabemo-lo, será numa atitude eleiçoeira e hipócrita já que nada representa no meio de actos que têm cerceado direitos adquiridos quando por África afirmávamos, cada um no seu posto e da maneira que lhe era exigida, a vontade de tudo sacrificarmos numa guerra que não pedimos. Em nome de equilíbrios orçamentais e de saneamentos financeiros amputaram-nos de parcos direitos… Não venham agora os senhores ministros conspurcar os nossos sentimentos, o nosso orgulho, a nossa tristeza! Eles são homens de muitas caras; nós só temos uma e orgulhamo-nos de saber manter os olhos levantados para ideais nobres e dignos que estão muito para além e muito para cima do horizonte dos políticos. Luís Alves de Fraga

COOPERAÇÃO

A Cooperação Técnico-Militar portuguesa entregou hoje à Marinha da Guiné-Bissau fardamento diverso prometido , pelo CEMA, no início de Julho, durante o I Simpósio das Marinhas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizado em Lisboa.A entrega do material foi feita pelo adido da Defesa de Portugal em Bissau, coronel Francisco Nogueira, ao chefe do Estado-Maior da Armada, contra-almirante Bubo Na Tchutu .O material hoje entregue à Marinha guineense inclui camisas, gravatas, calças, calçado e bóinas de fuzileiros. No final do ano passado, a cooperação técnico-militar portuguesa também entregou três mil fardas às forças armadas guineenses.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Um cêntimo


O barril de petróleo caiu vinte dólares; a Galp baixou os preços um cêntimo! Que canalha...

Eu queria saber o preço da benzina para tirar estas nódoas...

Engenheiros Premiados

Por considerar pertinentes todas as notícias relativas à relevância das actividades dos Potugueses (deixei de me manifestar relativamente à "Raça Pestilenta") transcrevo a notícia recebida da Associação Portuguesa de Manutenção Industrial:
"O "Euromaintenance Incentive Award" criado pela Fundação Salvetti foi este ano atribuído ao Senhor Prof. Luís de Andrade Ferreira, Professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Director da Revista "Manutenção" e Vice-presidente da Direcção da Associação Portuguesa deManutenção Industrial.
Podem consultar a notícia no Site da A.P.M.I.:http://www.apmi.pt/noticias/detalhes.php?id=116"
Desejo-vos uma boa semana!
Abraços,

Um título de prestígio


O Comandante Sardinha Monteiro recebeu um prestigioso título como navegador, conforme notícia no site da Marinha. Ora vejam http://www.marinha.pt/.

Petróleo


O preço do "brent", esta manhã, baixou para os US$128.80. No último mês já desceu cerca de $20, não se tendo notado qualquer modificação no preço dos combustíveis. Imaginem que era ao contrário ... onde é que nós já íamos?

terça-feira, 22 de julho de 2008

MUSEU DE MARINHA


Faz hoje , pelas minhas contas , 145 anos.

Não sei se poderei falar pelos "Oceanos" (tal é o desinteresse pelo blog) , mas arrisco falar por todos os marinheiros que tem naquela casa a sua história, e ilustre.
Parabens

E, já agora , que se vai mudar o Museu dos Coches (não percebi bem porquê!!!) , porque se não muda também o "Leite de Vasconcelos" e se cede aquele espaço ao nosso Museu , que tanto precisa?????

BELA ILHA

A ilha da Boa Vista recebeu ontem o primeiro voo charter directo de Lisboa, operado pela TACV. O voo deverá trazer todas as semanas turistas portugueses e de outros países europeus para aquela que é conhecida como a "ilha das dunas". O novo voo da transportadora aérea está programado para todo Verão, época de maior procura turística no arquipélago. Com mais este voo, o Aeroporto da Boa Vista passa a receber três charters semanais. Os outros dois voos, directos da Itália, estão a ser realizados por uma transportadora italiana, Alitalia. A par da ilha do Sal, a Boa Vista está agora a investir no turismo, beneficiando das praias e da recente abertura do aeroporto internacional.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

BATALHA DAS PIRAMIDES


Completam-se hoje 210 anos da vitória de Napoleão sobre os mamelucos.
Vitória só conseguida porque Bonaparte seguiu as tácticas por nós utilizadas em Aljubarrota e Chaimite, o quadrado. Os USA com o pentágono não se safam e os mamelucos já quase estão cá outra vez. Até dizem que vão ter um na Casa Branca.

SAGRES EM LUANDA

A "Sagres" atracou hoje, na Base Naval de Luanda(ex-INIC) , no quadro de uma navegação de instrução que efectua por alguns países. O navio transporta a bordo 210 cadetes de várias nacionalidades que frenquentam cursos na escola naval , com destaque para dois futuros quadros angolanos pertencente à Marinha de Guerra Angolana. Os dois, entre os quais uma jovem, concluem formação média de 4 anos no Centro Naval português. Os mesmos estão já há dois anos de curso, no âmbito da cooperação bilateral existente entre ambas marinhas. O programa do comandante do navio prevê encontros de cortesia com o ministro da Defesa, Kundi Paihama, o chefe do Estado Maior General das FAA, general Francisco Furtado, e o chefe do Estado Maior da Marinha de Guerra Angolana, almirante Augusto da Silva Cunha. Segunda-feira está prevista uma conferência de imprensa a bordo do navio com o seu comandante. A SAGRES zarpará na quinta-feira (24) com destino ao Porto do Lobito .

COM A DEVIDA VÉNIA

Justiça e Forças Armadas em Portugal…

Por justiça a gente implora! Democracia e direitos
…Mas, justiça entre os mortais Prestam sempre um bom serviço,
Que a pedem a toda a hora, Sobretudo aos tais sujeitos
Há menos… cada vez mais! Que mais se aproveitam disso.

José Caniné, in “Inquietando”, Ed. Prefácio, 2005

Muitas das quadras deste poeta/coronel têm a virtude de manter a sua actualidade ao longo dos tempos.
Ainda recentemente (“Público” de 10-7-2008), no dia do debate sobre os “Estado da Nação”, o General Loureiro dos Santos, a solicitação deste periódico, fazia uma das 34 perguntas (publicadas) a José Sócrates:
Desde os anos noventa, os militares viram a sua remuneração diminuir progressivamente em relação às profissões da administração pública equiparadas à profissão militar – juízes, diplomatas e professores universitários –, sendo aquela actualmente muito inferior. Por exemplo, em comparação com os juízes, os militares ganham cerca de metade. Pretende o Governo colocar fim a essa situação ou não? Quando e como?
Curiosamente a seguir ao 25 de Abril, havia coronéis (em fim de carreira) a ter uma remuneração que ascendia ao dobro da atribuída aos juízes…, que desempenhavam funções idênticas nos Tribunais Militares. Assim, ao longo destas três décadas ocorreu uma degradação incrível, nos vencimentos dos militares (ficando a situação invertida), “contribuindo o Governo actual para a extinção por míngua, das Forças Armadas” (Gen. Carlos de Azeredo em 15-7-2008).

Vem tudo isto a propósito de uma coluna de opinião assinada pelo juiz António Martins (“Diabo” de 1-7-2008), onde apoia a auto-suspensão de actividade dos seus colegas de Santa Maria da Feira, por terem ocorrido uns tumultos e alguns empurrões num tribunal provisório, durante uma audiência de julgamento…
Este senhor, dentro do seu papel de sindicalista (já não se compreende muito bem o apoio do Presidente e Vice-Presidente do Conselho Superior da Magistratura…), vem contar umas “histórias” para entreter a opinião pública, que não aceita o estado a que chegou a Justiça portuguesa e que, segundo alguns analistas, é um dos principais motivos para não haver mais investimento estrangeiro em Portugal. Note-se que os portugueses também estão fartos da maneira como é feita uma justiça demorada e dispendiosa… E depois os juízes, que julgo continuarem a ser irresponsáveis nas decisões, para conseguirem a sua independência, ainda se admiram da maneira como são tratados pelo bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto.
Se uma força militar viesse a tomar uma posição idêntica à dos juízes (auto-suspensos), por razões de alojamento ou alimentação em qualquer situação de campanha ou de emergência, este senhor consideraria razoável? Não. Estando, como igualmente está para qualquer magistrado, o cumprimento do seu dever ou da sua missão, significa que devem ser feitas todas as diligências possíveis (e impossíveis) para um eficiente serviço em benefício da comunidade ou da Nação/Pátria.

Medidas ainda na gaveta…

Lembro ao Dr. António Martins que não é com as críticas constantes dos seus comunicados de Abril e Maio de 2007, que o problema da Justiça pode ser resolvido. Bem mais adiantou recentemente o seu colega desembargador Eurico Reis (“Diabo” de 15-7-2008):
“(…) Essas reformas passavam e passam pela criação de um novo mapa judiciário do País (…), pela unificação do corpo de juízes (actualmente existem os juízes dos Tribunais Administrativos e Fiscais e os dos Tribunais comuns, cada um com o seu Conselho Superior), pela eliminação da inconstitucional paridade entre os juízes e os procuradores do Ministério Público (MP) – o que deveria acarretar o desaparecimento do Conselho Superior do MP, órgão que é um obstáculo perverso a uma tão necessária reestruturação dessa corporação, que actualmente cumpre mal a função social que justifica a sua existência (ser o advogado da comunidade e o defensor desses interesses colectivos, que não são a soma dos interesses individuais das pessoas que a compõem) – por uma simplificação dos Códigos de Processo e por uma radical alteração da estrutura do Centro de Estudos Judiciais e do sistema de formação dos juízes e dos procuradores.”
(…) os corporativismos judicial e do MP voltaram a consolidar-se. Vai ser mais difícil edificar um sistema judiciário que satisfaça verdadeiramente as necessidades e os interesses da comunidade.”

Para mim, com alguma experiência e prática nesta área, por ter sido promotor e juiz nos ex-Tribunais Militares durante uma década, acrescentaria duas outras medidas fundamentais. Os juízes deveriam passar a ser mais claros e expeditos nos seus textos, nomeadamente nos das sentenças proferidas, em vez de se alongarem em divagações argumentativas. Tal poderia ser conseguido se tal fosse incluído (em doses massiças) nos planos dos cursos do CEJ…
A outra medida, a nível político, como sugeriu no ano passado o Dr. Filipe Menezes, seria a retirada do Tribunal Constitucional (TC) do sistema jurídico português. Eu acho que apenas devia ficar com a competência de fiscalização preventiva das leis emanadas dos outros órgãos de soberania, pois considero este Tribunal (metido a “martelo” no sistema judicial) como o principal responsável pela clamorosa morosidade da Justiça em Portugal. Basta recordar que este TC, além de se debruçar sobre as dúvidas de qualquer decisão de uma associação ou clube de bairro, tem ainda que analisar todos os recursos manifestamente feitos para tentar “safar” os condenados e empancar a malfadada Justiça existente neste País.

A insatisfação dos militares…

Recorde-se que o clima de insatisfação perdura com maior intensidade na classe militar, desde há cerca de três anos, quando, à revelia dos Chefes Militares e do Presidente da República, Jorge Sampaio, o Governo impôs grandes restrições aos direitos adquiridos no âmbito social e sanitário.
José Sócrates a propósito deste tema tem-se comportado como um “poeta” e um “fingidor”. Poeta por estar completamente a “leste” das possibilidades de deflagrarem graves conflitos armados nas “barbas” da Europa, onde nos situamos, e fingidor, por, naquela altura, ter dado a entender que iria ter em conta as sugestões dos Chefes Militares, apoiados pelo Comandante Supremo e Presidente da República e, passado algum tempo, ter decidido contra tudo e contra todos. Se isto é uma actuação razoável, em relação a uma classe que constitucionalmente não pode manifestar-se, nem organizar-se sindicalmente, vou ali e já venho. O Primeiro-Ministro, sobre estas afirmações, que são bastante graves, num Estado que se diz democrático e de Direito, teria a obrigação de vir esclarecer o sucedido…

Também em relação a uma outra prestigiada instituição nacional, como a Igreja Católica, a crítica de D. Eurico Dias Nogueira é bastante elucidativa:
“(…) O Governo finge que ouve a Igreja, mas não a ouve. Pelo contrário, tem tomado posições que contrastam com as da Igreja. Dou-lhe um exemplo. O casamento de homossexuais. Nós, na Igreja, não nos opomos a que se reconheçam direitos às uniões de facto (…). Mas insurgimo-nos se chamarem a isso casamento. O matrimónio tem uma imagem, que os séculos consagraram. E a união de homossexuais não corresponde nada a esse conceito”.

Os diplomatas cada vez mais beneficiados…

Embalados pelo que vem sucedendo com as classes privilegiadas deste país terceiromundista, chegou a vez dos diplomatas ainda exigirem muito mais para além dos seus elevados vencimentos. Lê-se na Imprensa e “não dá para acreditar”. Depois de um sub-título Todos contra o escândalo, aparece escrito: Mais regalias para diplomatas gera revolta. E ao longo do texto lêem-se “novidades” como estas:
- Abonos compensatórios, que podem chegar aos 15.000 euros (sem pagar IRS), para além do salário base.
- Têm direito ao reembolso integral das despesas com a educação dos filhos, adoptados e enteados, menores de 18 anos, mesmo em território nacional (será em colégios particulares?).
- Têm direito ao pagamento anual de viagens para férias aos diplomatas em serviço externo, que se alarga a todo o seu agregado familiar.
- Pretende-se assegurar o financiamento integral dos custos e despesas de saúde a todos os diplomatas em serviço externo.
Mais à frente, e comentando estas propostas, o Sargento Lima Coelho, Presidente da Associação Nacional de Sargentos afirma que não deixa de ser curioso, estranho, se não mesmo ofensivo, que um projecto destes venha da parte de um Ministério tutelado por Luís Amado que, enquanto Ministro da Defesa tudo fez para liquidar o sistema de assistência na doença dos militares e que tantos conflitos deixou”.
Recordo ainda que este senhor (Amado), na altura, frente às câmaras da TV chegou a afirmar que “tenho consciência que os militares estão a ser lesados nos seus direitos há décadas”.
Assim, com o tremendo desgaste sofrido pelas Forças Armadas, não nos demos surprender com a falta actual de cerca de 1.500 voluntários em relação aos efectivos previstos para o Exército, neste ano, ou que o ex-CEMGFA, Gen. Espírito Santo, venha fazer previsões sobre uma guerra (no Médio-Oriente) que poderá estar próxima e ocorrer entre a eleição do futuro Presidente dos EUA e a sua tomada de posse. Perante estes cenários e se nos for exigida alguma participação na defesa do espaço europeu, lá teremos que ir buscar efectivos a outros locais, como Timor ou o Afeganistão, como já anteriormente aconteceu.

E a nível interno, vamos assistindo através da TV, à maneira como se têm deteriorado as condições de segurança de pessoas e bens; a refrega recente na Quinta da Fonte/Loures, entre bandos de ciganos e negros é bem elucidativa do estado a que chegámos. Lembremo-nos igualmente dos assaltos constantes que sistematicamente e diariamente ocorrem em todo o País…

Manuel Amaro Bernardo Julho 2008

domingo, 20 de julho de 2008

20 de JULHO

DIA DO AMIGO

Penso ser um bom Amigo ,e prezo muito isso, mas gostaria de ser mais ... sobretudo tolerante
Nada se leva desta vida sem ser a Amizade e os valores que a ela estão ligados, pois para o resto o caixão não tem espaço.
Que me desculpem todos para quem eu não dei a atenção que a mim me deram.